fev
28
2012
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Ficha técnica:

Diretor: Chico Teixeira

Roteiristas: Chico Teixeira, Júlio Pessoa, Sabina Anzuategui e Marcelo Gomes

Duração: 90min

Elenco: Carla Ribas, Berta Zemel, Vinicius Zinn, Ricardo Vilaça, Felipe Massuia, Zé Carlos Machado.

Distribuidora: Imovision

 

Alice, manicure, é casada e mãe de três filhos, e mora com a família em uma casa no subúrbio. O marido, taxista, é um homem insensível, bruto e machista, incapaz de observar a dinâmica familiar. Os filhos, em geral, seguem os passos do pai, mostrando-se tão distantes quanto ele. Quem assiste a tudo é Dona Jacira, mãe de Alice, que observa a todos com os olhos da experiência. Assiste aos casos extraconjugais do genro, bem como aos de sua filha. A família, núcleo unido por excelência, é mostrada no filme como uma instituição em decadência. Falida. Com isto, não se quer, talvez, criar alguma crítica ao modus operandi da família moderna, mas sim talvez criar um espelho. Se não para todos aqueles que assistem, para grande parte da população brasileira, que vive em subúrbios e que luta para equilibrar as contas e a harmonia familiar, que tenta achar as medidas familiares. Mas como encontrá-la, se mal é possível descolar-se da aridez da realidade? O fato é que todos no filme tentam, cada um na sua maneira, encontrar algo por que viver, algo para se agarrar.

A realidade da classe média é lindamente mostrada no filme, mostrando o cotidiano de uma família, mas que serve como um microcosmos de todas as famílias. Que vivem em seus apartamentos apertados, com toda a dificuldade em pagar todas as contas no fim de mês, com a impotência de não conseguir proporcionar para seus rebentos nem a si mesmo o que gostaria. Outro aspecto louvável a se chamar a atenção é o de não haver a tentativa em prender os personagens em uma análise superficial. Ninguém nesta família é bom ou mau, o caráter é maleável, as circunstâncias constroem as pessoas, e, às vezes, nem sempre a busca pela felicidade é feita pelo que é visto como correto. O caso extraconjugal vivido pelas duas partes do casal é um exemplo disto. Alice não é pior, ou menos mãe, ou menos preocupada, porque mantém um romance com um ex-namorado. Ela é apenas um mulher em busca de algo que a faça melhor, que a preencha.

A casa de Alice não é um filme fácil, muito menos agradável, mas que de uma maneira muito simples, consegue trazer de maneira direta ao espectador um pouco da realidade de grande parte dos brasileiros.

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